Elvis Presley surgiu num momento especial da América, quando os adolescentes se assumiram como um novo mercado capaz de suportar uma revolução - a do rock and roll. Antes de ser engolido pelo sistema, enviado para a Alemanha como símbolo de boas intenções do Tio Sam, usado por Hollywood em filmezinhos e, por fim, enfiado em Las Vegas protagonizando os seus freak-show muito particulares, Elvis Presley agitou toda uma sociedade confortavelmente instalada no american way of life, com um provocador abanar de ancas e uma voz que, através da rádio, levantava muitas dúvidas sobre a sua origem racial, quando a segregação era ainda uma dura e negra realidade. Frank Sinatra, que mais tarde haveria de se tornar seu amiguinho, foi um dos que mais o atacou. Dizia ele: "A sua música provoca reacções bastante negativas e destrutivas entre os jovens".
Las Vegas - 1976
Depois de ter andado durante 12 anos fazendo filmezinhos palermas em Hollywood - nada mais, nada menos que 31 filmes - em Julho de 1969, Elvis regressou àquilo que sabia fazer melhor: concertos ao vivo. O local seria o maior e mais espalhafatoso parque de diversões para adultos no Planeta Terra: Las Vegas! Exibindo uma excelente forma, tanto física como vocal, a sua primeira temporada no International Hotel - mais tarde rebatizado Hilton Hotel - foi um sucesso arrebatador, tanto em termos de crítica como de bilheteira. Mas esses tempos duraram pouco. De 1970 em diante, Elvis ficou preso a um contrato que o obrigava a, duas vezes por ano, fazer temporadas de um mês que implicavam dois espectáculos por dia, sete dias por semana. Refugiado na sua suite do 30º andar, embrutecido pela rotina, fazendo apenas vida noturna e isolado da realidade pela máfia de Memphis (os seus guarda-costas), ele voltou a agir como se fosse uma criança mimada. O que quer que Elvis pedisse, Elvis tinha: armas, drogas, mulheres - cada vez mais novas, ao ponto da sua ex-mulher Priscilla dizer que ele "não conseguia ter sexo com mulheres que já tivessem sido mães". Ingeria quantidades absurdas de junk-food com uns barbitúricos pra temperar. A sua refeição favorita era um sanduíche capaz de produzir um enfarte só de olhar, recheado com doce de morango, manteiga de amendoim e bacon. Ficou dependente de drogas para fazer tudo. Só em 1977 - ano da sua morte, em Agosto - lhe foram receitados cerca de 10.000 comprimidos entre sedativos, anfetaminas e analgésicos pelo seu médico pessoal, o "Dr. Nick". Acumulou peso e com o cérebro toldado quimicamente, o comportamento de Elvis Presley tornou-se cada vez mais errático e imprevisível. Certa vez, no Hilton, disparou cinco ou seis balas para o teto só para mandar as pessoas que estavam com ele na suite calarem a boca . Também arrebentou a televisão com tiros, porque estava ao telefone e queria desligá-la. E no palco balbuciava incoerentemente e esquecia-se das letras dos temas que já tinha cantado centenas de vezes, mais parecendo um sonâmbulo obeso, suado e caótico e que já mal conseguia caber dentro dos seus famosos trajes brancos cobertos de lantejoulas. O seu último espectáculo em Las Vegas foi em 12 de Dezembro de 1976, e nos bastidores perguntou a um evangélico da TV se deveria deixar de cantar e dedicar-se unicamente a Jesus. Talvez tivesse sido melhor. A 16 de Agosto de 1977, Elvis chega a Graceland, alguns minutos depois da meia-noite. No portão estão vários fãs, um deles é Robert Call, que lhe tira uma foto. A última foto de Elvis em vida. Às 15:30h deste mesmo dia, Elvis é declarado morto vítima de um ataque cardíaco. A autópsia revelou a ingestão de oito ou mais drogas (morfina, valium e valmid, entre outras). Tinha apenas 42 anos. E lá se foi o Rei...








