O conhecido graffiter britânico Banksy criou uma polêmica sequência de abertura de um episódio dos Simpsons. A introdução mostra Bart escrevendo no quadro preto “Não devo escrever nas paredes” numa Springfield coberta de graffiti com a assinatura do artista e termina, não com a família sentada no sofá de casa, mas mostrando uma fábrica asiática produzindo merchandising dos Simpsons, com trabalho escravo e à morte de animais.
Esta sequência de abertura do episódio (chamado MoneyBart) foi emitida ontem nos EUA e foi a primeira vez que um artista foi convidado para criar parte do storyboard.
Banksy é o pseudônimo de um artista britânico cuja verdadeira identidade não é conhecida. As suas obras são satíricas e humorísticas. Um dos seus murais mais famosos mostra dois polícias britânicos dando um beijo na boca. Outra criação sua - uma moça e um rapaz com um escafandro - fez capa de um álbum dos Blur, “Think Tank” (2003).
A sequência de abertura idealizada por Banksy termina com um trecho de um minuto de duração que mostra trabalhadores asiáticos colorindo manualmente, num regime de quase escravatura, as vinhetas de animação da série. A cena passa-se numa fábrica onde são feitos os produtos de merchandising da série. Vêem-se crianças trabalhando, ossadas amontoadas de antigos trabalhadores, animais sendo mortos para encherem Barts de pelúcia e um unicórnio cansado cujo chifre serve para furar DVD’s.
Esta extensa sequência foi aparentemente inspirada na teoria de que produtores dos Simpsons recorrem a empresas sul-coreanas para animarem, em regime de outsourcing, a família amarela mais famosa do mundo.
De acordo com Banksy, citado pela BBC, o argumento para a sequência de abertura deu origem a atrasos e discussões acerca das normas de difusão televisiva, chegando mesmo a haver uma ameaça de demissão por parte do departamento de animação. “É isto que acontece quando trabalhamos com recurso outsourcing”, ironizou um dos produtores-executivos dos Simpsons, Al Jean.




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